Opinión

Prémio ou castigo

Rudesindo Soutelo

miércoles, 11 de febrero de 2004
O protocolo dos certames de criação é pouco considerado com os autores concorrentes, mas no caso dos concursos de composição musical convocados na Galiza a cousa pode chegar a se converter num castigo -económico ou escravista. A verdade é que depois de ler as suas draconianas bases tens de estar mói desesperado para participar.Prémio Cantata Torre de Hércules: 12.000 €. Obra para Solistas Coro e Orquestra Sinfónica com duração máxima de 40 minutos.Prémio Internacional Auditorio de Galicia: 12.000 €. Obra para Orquestra Sinfónica com duração mínima de 10 min.Prémio Andrés Gaos: 6.050 €. Obra para Orquestra Sinfónica podendo empregar Coro, Solistas ou electro-acústica. Não indica duração.Nas bases destes três concursos figura que o organizador "poderá estrear a obra premiada sem nenhum tipo de compensação económica adicional para o autor", e mais adiante estabelece o obrigação de o compositor entregar gratuitamente os materiais para a execução da obra.Seguramente não observam nada estranho. Ate mesmo os compositores noveis podem considera-lo uma boa oportunidade. Algum inclusive pensará que têm uma alta dotação económica. Mas, qual é o prezo dessa inocente cláusula?A partitura de orquestra que se apresenta ao concurso é o manuscrito de autor definitivo e legível, ainda que alguns autores empregam computadores neste processo não deixa de ser um manuscrito. É o mesmo que entregará à editora para iniciar o processo de publicação. A partir daí os copistas preparam as partituras de execução, de estudo, e mais as partes para cada membro da orquestra, coro e solistas. Os copistas são profissionais altamente qualificados para garantir uns materiais que evitem perder tempo nas escassas horas de prova que têm as orquestras. Sou editor de música e sei que uma obra sinfónica de vinte minutos supera os 12.000 € de investimento.A burla é ainda mais cruenta no caso do Prémio Auditório de Galicia porque diz que o material ademais de gratuito "quedará em poder do Auditório" e, ainda mais, "reserva-se o direito a estabelecer as condições para a difusão e reprodução". Realmente estas bases conculcam a lei em diversas cláusulas.Se o autor premiado não tem aforros, para cumprir as obrigações do prémio terá de escravizar-se durante meses para fazer os materiais, mas, ao não ser copista, de seguro têm deficiências. Isso incomoda aos músicos e podem boicotar a obra.Bastaria um pouco menos de prepotência ao redigir as bases para evitar essa humilhação aos compositores. E negociando previamente com uma editora profissional de música a publicação da obra ganhadora, podem dispor dos materiais por um prezo razoável e pactuado. O concurso é uma ferramenta promocional mói importante para os convocadores, mas se não cuidam as formas converte-se num desprestígio esperpéntico.

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