A guitarra na Galiza

Estudos históricos e geopolíticos da guitarra na Galiza entre a Revolução Francesa e a Primeira Guerra Mundial.. La serie consta de 57 artículos (Fotografía: 2021 by Isabel Rei Samartim)

Fundos galegos de música para guitarra (1)

Álbum de Fernando Torres Adalid, p. 71 © 2021 by Isabel Rei Samartim
Enceto com o presente uma série de artigos sobre a música para guitarra na Galiza, que aborda aspetos musicais, históricos, sociais, organológicos, iconográficos, educativos e estilísticos em volta do uso desse cordofone, e outros membros da família, em terras galegas desde Revolução Francesa até a Grande Guerra.

Fundos galegos de música para guitarra (2)

 Cartel de Canuto Berea y Cia © by Dominio Público
Em 1853 publica-se A gaita galega do violinista e guitarrista João Manuel Pintos Villar, petrúcio duma família ilustrada da Ponte Vedra que entesourou o fundo musical e guitarrístico mais importante dessa época.

O Biedermeier galego. Pleito por uma guitarra

Capa do Pleito Ozores-Baradat. Arquivo do Reino da Galiza. Corunha. © 2021 by Isabel Rei Samartim
No caso da Galiza, o nosso período Biedermeier, ou montenegrino, seria o decorrido entre o final da Guerra do Francês (1814) e o levantamento de Solis (1846), em que aconteceram várias guerras carlistas, a sucessão da monarquia e as revoltas populares contra o novo Estado desde a sua primeira Constituição em 1812.

O Biedermeier galego. José Dionísio Valladares

Íncipit do Vilancico galego para voz e guitarra, f. 106r da coleção Valladares. © 2021 by Isabel Rei Samartim
José Dionísio Valladares Gómez nasceu no lugar de Fontão, na paróquia de Santa Maria de Graba, concelho de Chapa, comarca de Trás-Deça, em 23 de junho de 1787 e morreu em Vilancosta, paróquia de Berres, concelho da Estrada, comarca de Taveirós, em 24 de março de 1864.

Avelina Valladares Núñez

Avelina Valladares: «La soledad» © 2021 by Isabel Rei Samartim
Foi com catorze anos de idade, durante a estadia da família em Lugo, quando Avelina Valladares (1825–1902) começou a estudar música, possivelmente, na guitarra.Os seus primeiros poemas foram compostos aos dezoito.

A guitarra da família Salaverri de Mondonhedo

Etiqueta e boca da guitarra Salaverri © 2021 by Isabel Rei Samartim
Quando chegou à oficina do violeiro César Arias, a guitarra da família Salaverri, cuja longitude da escala é de 632 mm., estava acompanhada de duas cordas primas e sem usar, de 0,54 e 0,52 mm de secção.

A guitarra Voiriot e o respeito à Natureza

Roseta da guitarra Voiriot © 2021 by Isabel Rei Samartim
Na Voiriot conservada na Galiza, a longitude da escala é de 627 mm.O instrumento passou por um forte restauro perto do ano 2000 quando, depois de serem reparados os filetes, foi acrescentada uma escala um pouco mais alta para poder encordoar a guitarra.

A guitarra galega contada aos galegos e às galegas

Guitarra Galega © 2021 by Através Editora
Uma história familiar cheia de música e guitarra galega, os estudos oficiais no conservatório sem guitarra galega, a historiografia confusa da Spanish guitar entre o dream anglófono e a ensoñación espanhola, a certeza de que a história própria estava esquecida e o relato por construir, foram os ingredientes principais da grande pergunta que a autora procurou responder: Porquê não sabemos nada da guitarra e d@s guitarristas galeg@s?

A violaria galega no último terço do século XIX

Guitarra Hijos de Gonzalez no Liceu Fernando Blanco de Cee. © 2021 by Isabel Rei Samartim.
O facto de termos mais dados históricos numas épocas do que noutras não sempre significa que tenha havido maior, ou menor, atividade daquilo que se está a estudar.A informação que falta também fala por si mesma e outras informações paralelas podem ajudar a completar aqueles vazios históricos que ainda contém a nossa história.

As guitarras de Cee. Francisco e Concepción González

Etiqueta da guitarra de F. González de 1876 © by Guitar Salon International
Francisco González Estévez foi um visionário que, metido à construção de instrumentos, conseguiu o prémio internacional mais importante da época para a guitarra: O concedido pela Segunda Exposição Universal, realizada no Campo de Marte, em Paris, em 1867.

Francisco Núñez Rodríguez e o sonho americano

Francisco Núñez, editor. Assinatura e logótipo © 2021 by Isabel Rei Samantim
Diz Prat que em 1870 Francisco Núñez concibe a ideia de fundar a depois afamada Casa Núñez e que Núñez chegou a ser o primeiro industrial do mundo em construção de guitarras, cujo mercado superava ao já extenso do valenciano Salvador Ibáñez.

Cambra, Benavides e o pirata Juan March

Etiqueta de Domínguez Cambra, na bonaerense Avenida Entre Ríos, 177. © 2121 by Isabel Rei Samartim
Uma plêiade de violeiros galegos juntou-se ao redor do próspero Francisco Núñez, em Buenos Aires, aonde emigraram na procura da aprendizagem dum ofício maravilhoso e acharam em Buenos Aires uma guitarra argentina em pleno crescimento, e a ela contribuíram com a sua arte construtiva, sendo apreciados pelos guitarristas do país.

A família Veiga-Valenzano e a guitarra

Vittorio Reggianini (1858-1938).«La soirée» © Dominio Público
...Mis Zaida es una bandurrista notable, que siente el arte con todas sus delicadísimas emociones.Hizo maravillas ejecutando el "Ave María" de Gounod, la "Alborada de Veiga" y otros números.La afamada artista recibió estruendosa ovación que con ella compartieron los hábiles guitarristas que la acompañan.

O compositor, guitarrista e barbeiro ourensano Ramón Gutiérrez Parada (1874-1945)

Ramón Gutiérrez Parada (Ourense, 1874-1945) © 2021 by Isabel Rei Samartim
Ramón Gutiérrez Parada foi um dos compositores a participar do movimento de criação de música galega no primeiro terço do século XX.Travou amizade com a Federazione Mandolinistica Italiana, a cujos concursos de composição enviou várias obras.

A virtuosa bandurrista Miss Zaida na Galiza (1884-1902) (1)

O odor das romãs © 1899 by Zaida Ben Yusuf
De setembro a dezembro de 1887, Miss Zaida e Mr.Jacobet tocam muito nos cafés do Ferrol, Compostela, Ponte Vedra e Lugo.Em ocasiões continuam a colaborar com o mundo do espetáculo, em associação com o prestidigitador César P.

A virtuosa bandurrista Miss Zaida na Galiza (1884-1902) (2)

Método de Mandolina de "Andrés" © Coleção do Liceu Fernando Blanco de Cee.
Miss Zaida e Asensio acompanhariam a primeira projeção do cinematógrafo na Ponte Vedra, Vigo e Tui nos meses de abril e maio de 1897, num dos momentos de máxima promoção e fama de Miss Zaida, que contribuía assim para o desenvolvimento do cinema galego (El Diario de Pontevedra;

Parga, um guitarrista galego de máximo nível europeu (1)

Juan Parga Bahamonde © Arquivo do Museo de Ponte Vedra
Todas as obras que se conhecem de Parga caracterizam-se pelo seu virtuosismo, não unicamente no desempenho técnico do instrumento, mas também nos pormenorizados e numerosos matizes, expressões e imagens visuais para transportar ao intérprete o universo sonoro do autor.

Parga, um guitarrista galego de máximo nível europeu (2)

Juan Parga Bahamonde © Arquivo do Museo de Ponte Vedra
Desde o Pacto de El Pardo (1885) informalmente realizado entre os presidentes Cánovas (Partido Conservador) e Sagasta (Partido Liberal), o governo do Estado foi distribuído coordenadamente entre os dous partidos, inaugurando assim o turnismo, ou pacto de governo para favorecer a sucessão monárquica.

A guitarra «española» e o seu efeito na Galiza (1)

Guitarra hitita, ano 3300 antes da nossa Era © by blogspot.com
Por motivos diferentes dos musicológicos, é comum vermos associados aos nomes dos instrumentos alguns adjetivos de procedência ou de identidade que, por erro, são modernamente tomados como de origem (english guitar, viola francesa, chitarra francese, guitarra española, guitarra portuguesa).

A guitarra «española» e o seu efeito na Galiza (2)

Pedro Fernandes de Castro, VII Conde de Lemos © by Dominio Público / Wikipedia
A ideia iberista que Machado Álvarez tinha da cultura peninsular não chegou a concretizar-se.A ideia historicamente ganhadora foi a construção da Espanha, dentro do possível, como Estado ao estilo francês, uniformizador e centralista, que provocou um processo interno de espanholização e de construção de símbolos identificadores.

A guitarra «española» e o seu efeito na Galiza (3)

Disco «La guitarra española», de Narciso Yepes © 1964 by Zafiro
É no último terço do século XX quando se produz o cúmulo da promoção espanhola, principalmente através da indústria discográfica.A evolução e desenvolvimento da expressão guitarra española por esta indústria, desde a década de 1970, é notável e supera com muito todas as anteriores manifestações que, se bem abundantes, em comparação dão a impressão de pingas ao longo da maior parte de décadas do século XX.

A guitarra «española» e o seu efeito na Galiza (4)

Corcubião, Concerto no jardim  © 1921 by Romero / Jano Lamas
Na guitarra do século XX há um elemento que experimenta um desenvolvimento linear, sem contrastes, progressivo e in crescendo, que começa no último terço do século XIX e cuja cimeira é atingida nas últimas décadas do século XX.

As guitarras de Rosália Castro

Rosalia Castro ca 1865 © Dominio público / Foto de Maria Cardarelly
Então Rosália pegou na sua guitarra inglesa e tocou para o menino a barcarola da ópera A Estrangeira de Bellini.O menino chorou pela beleza que saía dos dedos de Rosália e ela pensou que estava diante de um potencial talento para a música.

A guitarra plebeia de Montes

Juan Montes, «6 Baladas gallegas» © Dominio Público
Depois da morte de Montes (1840-1899), que coincide no mesmo ano que a do guitarrista Parga, a sua música continua a tocar-se e as orquestras de plectro galegas que nas primeiras décadas do século XX estão em plena efervescência, interpretam a sua música como emblema de galeguidade.

As orquestras de plectro na Galiza (1)

La casa de la Troya © 1915 by Librería de la Viuda de Gregorio Pueyo
Na Galiza o termo rondalla pode significar qualquer grupo musical que toca pelas ruas e não se usa sempre para referir os grupos de cordofones, por isso aqui escolhemos o nome de orquestras ou grupos de plectro, ou orquestras de guitarras/violas.

As orquestras de plectro (2)

Entrudo de 1931 en Mugia © 1931 by Foto Caamaño
A febre das orquestras de guitarras era total na Corunha.Algum destes agrupamentos tem sido qualificado de "monstro" por integrar dezenas de intérpretes com os instrumentos "guitarras, guitarrones, bandurrias, cítaras, bandolones, octavinos y bandolines" (El Lucense, 1891).

Um novo disco de guitarra galega

Guitarra Galega Vol. 1 © 2021 by Air Classical
O volume contém música para guitarra dos séculos XVIII a XXI e apresenta obras compostas por autoras vivas e em ativo, que veem uma parte do seu labor artístico gravada por uma intérprete que não são eles/elas mesmas.

As orquestras de plectro (3)

Orquestra de plectro de Fene © 1950 by Maninhos / Fenecom
No Ferrol de final de século havia várias sociedades que organizavam concertos.O Casino, o Centro Recreativo, o Círculo de Artesãos e a sociedade La Peña eram as mais importantes.Os seus membros organizavam e participavam nos eventos teatrais e musicais da localidade.

A família Ronzi e os fundos galegos para guitarra

Retrato de Giuseppina Ronzi © 1833-35 by Karl Briullóv / Wikipedia
Giuseppina Ronzi foi uma das divas da ópera italiana na primeira metade do século XIX, ao nível de Giuditta Pasta, Pauline Viardot e Maria Malibran.Admirada por Donizetti, o compositor escreveu para ela "Gemma di Vergy," mas também "Roberto Devereux", onde interpretou o papel da Rainha Elizabeth.

Henrique Lens Viera e a guitarra

Enrique Lens Viera en Lincoln hacia 1920 © Dominio Público / Mundoclasico.com
Henrique Lens Viera, pianista e compositor galego, enquanto morou na Galiza não foi alheio ao impulso que a guitarra e as orquestras de plectro experimentaram no último terço do século XIX e primeiro do XX.

Guitarra galega e argentina: Um elo comum em Rianjo

Mulheres rianjeiras © by Coleção de Xosé Pérez. Concelho de Rianjo.
No Fundo Local de Música do Concello de Rianjo é mantida a pegada das relações galaico-argentinas surgidas pela forte emigração.No fim do século XIX o fundo oferece, entre mais elementos, a descoberta de um professor de guitarra e compositor desconhecido, Agustín Gómez, ativo em Buenos Aires, graças à mediação do seu aluno, o rianjeiro e guitarrista, Andrés Pérez García.

O fundo guitarrístico de Pintos Fonseca (1). A Filarmónica da Ponte Vedra

Escudo dos Fonseca na Casa de Samieira © 2021 by Isabel Rei Samartim
O último dia do ano 1924 a Sociedade Filarmónica da Ponte Vedra anunciava o primeiro concerto na Galiza de Andrés Segovia.Na quarta-feira, 31 de dezembro teria lugar um programa dividido em três partes: Na primeira incluíam-se uma Sonata de Carulli, umas Variações de Sors, um Estudo de Tàrrega e uma Canção popular mexicana de Ponce, dedicada a Andrés Segovia.

O fundo guitarrístico de Pintos Fonseca (2). A música e as guitarras

Orquestra Samartim, com Pintos no centro de pé © by Marina Pintos-Fonseca / Museu da Pontevedra
A veneração de Javier Pintos por Beethoven é algo digno de comentário.Algumas das sonatas contêm longas e eruditas indicações de Pintos anotadas nas margens, sintoma de ter aprofundado no seu estudo.

O fundo guitarrístico de Javier Pintos Fonseca (3). As partituras

Retrato de Andrés Segovia por Manuel Quiroga © by Museu da Ponte Vedra
A música galega de Parga não chegou a publicar-se e desconhecemos onde poderá estar à nossa espera.Supomos que estaria na sua intenção publicar as obras galegas, que cremos também virtuosísticas, de grande formato e cheias de matizes.

O fundo guitarrístico de Javier Pintos Fonseca (4). As partituras

Sonatas de Beethoven sobre o piano da casa de Samieira © Arquivo do Museu de Ponte Vedra
Fica por aqui a relação de amizades, ligações, obras e vida musical de Javier Pintos Fonseca, um dos nossos guitarristas e intelectuais mais completos e prolíficos, cuja influência na Ponte Vedra foi fulcral e o grande motor da vida musical da cidade.

Agostinho Rebel Fernandes e seus métodos para guitarra

Martinho d'Assunção © by Museu do fado
Há notícia de Agostinho Rebel através do seu aluno prodígio, o conhecido guitarrista de fado Martinho d'Assunção (Portal do Fado, 2010), e por ter publicado em Lisboa dous métodos de guitarra: «Método elementar progressivo para Guitarra Espanhola» e o «Novo método para Guitarra Española Elementar e Progressivo».

O misterioso guitarrista Francisco Baltar

A farmácia dos Baltar em Padrão © by Mundiario.com
A barcarola El Canto del Marino anunciou-se à venda em 16 de março de 1842 (Boletín Bibliográfico Español y Estrangero, 1842, p.91).Vendia-se no armazém de Carrafa junto com outras onze peças para voz e guitarra ou piano, recolhidas no que devia ser um belo livro de pequenas dimensões, intitulado Álbum Lírico ó Coleccion de doce canciones jocosas y sérias con acompañamiento de piano ó guitarra, compuestas por varios profesores.

O virtuoso bandolinista viguês José Mourinho Vilas (1891-1978)

Orquestra de José Mourinho, ca 1920. © by My Heritage
A evolução e intensidade da corda dedilhada em Vigo reflete-se nos múltiplos agrupamentos que existiram na cidade.A implicação da burguesia era um dos motores fundamentais, que rivalizava com a intensa e extensa atividade popular em torno dos cordofones dedilhados.

O guitarrista troiano Júlio Mirelis Garcia (ca. 1860-1933)

Método completo de guitarra de Julio Mirelis © 2022 by Isabel Rei Samartim / BNE
O Método completo de guitarra (1892) de Júlio Mirelis é o primeiro método para guitarra documentado e publicado na Galiza.Para a história da guitarra galega significa, por um lado, a evolução dos métodos ou anotações didáticas anteriores, que eram manuscritas, e por outro lado, a evidência do uso popular do instrumento refletida em papel impresso.

O médico guitarrista Luís Eugénio Santos Sequeiros (1909-2012)

Luís Eugénio Santos Sequeiros © 1930 by Emílio Fernandez Rodal
Luís Eugénio Santos Sequeiros era assíduo dos concertos de todo o tipo, a sua educação musical aprendida já desde a infância levava-o tanto a desfrutar dos eventos programados quanto a participar neles como regente e intérprete do quarteto de plectro.

Cadernos de guitarra

Cadernos de guitarra © 2022 by Viso Editorial
Ambos cuadernos incluyen sendos estudios introductorios de Isabel Rei Samartín en portugués, español e inglés, con la discusión de fuentes y autorías, criterios editoriales y referencias bibliográficas.

Dous novos cadernos galegos de música para guitarra

Capa da canção napolitana Pozzo fa 'o prevete? de Javier Pintos Fonseca © 2022 by Fundo Pintos Fonseca, Museu da Ponte Vedra
Todas as peças fazem parte dos fundos galegos de música para guitarra e contêm dedilhação revisada, notas de edição e uma explicação, em três línguas, da origem de cada uma das peças e seus autores.

O exímio guitarrista naviego Amador Campos (1894-1962) (1)

Cartaz de tournée de Amador Campos.  © by Fonte: Documentos da família.
O elevado número de referências na hemeroteca aos seus concertos e a quantidade de informações do arquivo familiar oferecem um panorama próprio dum guitarrista profissional.

O exímio guitarrista naviego Amador Campos (1894-1966) (2) no após-guerra

Retrato de Amador Campos, 1963, por artista desconhecido © 2022 by Arquivo familiar
Estes apontamentos sobre o naviego Amador Campos fornecem também elementos para entender o que aconteceu com o repertório galego para guitarra na primeira metade do século XX.Não vemos no seu programa obras de autores galegos, e sim uma influência grande dos guitarristas doutras partes da península.

Caderno do Francês: amor em tempos de guerra para guitarra (1)

Capa do Caderno do Francês. © 2022 by Museu da Ponte Vedra / Isabel Rei Samartim
O autor do "Caderno do francés" poderia ser um guitarrista da época napoleónica, talvez ligado ao mundo militar e/ou político que juntou as suas partituras com o propósito de as ordenar.As obras estão copiadas por várias mãos, em papeis com diferentes tamanhos, texturas e tintas.

Caderno do Francês: amor em tempos de guerra para guitarra (2)

Capa do Caderno do Francês. © 2022 by Museu da Ponte Vedra / Isabel Rei Samartim
A Sonata escrita para guitarra de seis cordas, sem indicação de autor, é a obra de mais peso de todo caderno.Esta sonata estende-se por várias páginas e desenvolve-se na escritura chamada 'violinística' típica da época, que caracteriza a composição para guitarra.

A coleção do fundo Adalid. A guitarra na música de câmara

Retrato de Marcial Torres Adalid com 10 anos (ca. 1826) © 2015 by Carolina Queipo
Há aqui um grande trabalho por fazer na recuperação desta música de câmara com guitarra, que soou na Corunha no início do século XIX e que hoje ajuda a ilustrar o ambiente guitarrístico galego não unicamente da perspectiva do instrumento solista, ou popular, mas também do intenso cultivo camerístico por parte da burguesia galega.

A coleção do Fundo Adalid. O Álbum para guitarra

Fernando de Torres Adalid (Lluís Ferrant Llausàs, 1852) © 2015 by Carolina Queipo
As partituras originais teriam sido reunidas ao longo do tempo, entre o final do século XVIII e boa parte do XIX.Finalmente, para as salvar do deterioro teriam sido copiadas no Álbum durante as décadas centrais do século XIX, tendo possivelmente servido como instrução de guitarra a várias gerações dos Torres Adalid.

O fundo para guitarra do Arquivo da Catedral de Lugo

Catedral de Lugo © 2010 by Antonio Costa
Copiadas da mão de Vila são as dez peças para guitarra conservadas no arquivo da catedral lucense, das quais a primeira é o famoso Allegro do guitarrista Juan de Arizpacochaga.As obras do manuscrito conservam-se no Arquivo de Música da Catedral, na pasta correspondente ao nome deste guitarrista, Arizpacochaga, e estão escritas em papel apaisado duplo e dobrado.

O fundo guitarrístico de Jesus Ínsua Yanes (1)

6 piezas de José Costa con dedicatoria a Gómez Parreño © 2022 by Isabel Rei Samartim
As partituras conservadas por Margarita Ínsua Cal, filha de Jesus Ínsua Yanes, foram publicadas na Espanha, França, Itália e Inglaterra.O fundo está formado por 19 obras, sendo que 16 têm uma numeração moderna e 3 delas estão sem numerar.

O fundo guitarrístico de Jesus Ínsua Yanes (2)

Guitarra de Jesus Ínsua Yanes © 2022 by Isabel Rei Samartim
A coleção de Jesus Ínsua acolhe o interessante conjunto do século XIX, que foi analisado no artigo anterior, e também numerosas obras de várias décadas do século XX que nos indicam o tipo de peças tocadas e ouvidas em Ortigueira naquela altura.

O ensino de música na escola de pessoas surdo-mudas e cegas de Compostela

Adornos musicais nos bancos da Alameda compostelana © 2022 by isabel Rei Samartim
Manuel López Navalón estudou magistério em Madrid, onde trabalhava como Professor de Escritura no Colegio Nacional de Sordomudos y de Ciegos desde 1854.Em 1863 assume o cargo de Diretor do centro compostelano e será aqui onde realize um trabalho imenso de revolução pedagógica.

As escolas de música de Betanços

Agrupacion Musical Carlos Seijo em março de 2022 © 2022 by Isabel Rei Samartim
No fim do século havia em Betanços três escolas populares onde as violas/guitarras e os cordofones dedilhados tinham numerosa presença.O objetivo da fundação destas escolas era, quase sempre, a formação de um grupo musical que, normalmente, era uma orquestra de plectro.

António Jimenez Majon na Galiza e Portugal

Antonio Jiménez Manjón © 1888 by La Ilustración Española y Americana
Não foi intenção de António Torres a de criar um modelo único de guitarra, nem a de extinguir o resto de modelos diversos que existiam para o que nós costumamos chamar de ‘grande família das guitarras’.

Um novo álbum de guitarra galega

Álbum de guitarra galega. Nível básico © 2022 by Dos Acordes
O Álbum de guitarra galega.Nível básico abre com uma apresentação breve dos fundos presentes no caderno, bem conhecidos do público interessado.Depois seguem umas notas específicas sobre a transcrição e edição das partituras, com um comentário especial para a interpretação das moinheiras integrantes do álbum.

Naya, guitarrista do Ferrol

Retrato de Manuel Murguia realizado pelo filho Ovidio © Dominio Público
A investigação histórica toma com frequência caminhos inexplicáveis, leva a lugares inesperados e obriga a conclusões surpreendentes.Os dados que recolhi em torno do guitarrista Naya levam a poucas conclusões e indicam que mesmo os intelectuais da segunda metade do século XIX desconheciam grande parte do acontecido musicalmente cinquenta anos atrás

Uma querela historiográfica

José María Varela Silvari © Dominio público / La Alhambra
A Galeria biográfica de José Maria Varela Silvari provocou um furioso debate público que derivou em inimizades vitais, mas ao mesmo tempo impulsou o avanço dos estudos musicológicos galegos deixando, tanto nos livros quanto na imprensa, informações relevantes sobre intérpretes dos primeiros anos do século XIX, servindo como memória cultural e semente dos atuais estudos sobre a guitarra na Galiza.
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